📌 FELIPA CRÍTICA: HOMEM COM H

A série de humor da Estúdio Webs, intitulada de "Homem com H", está em sua reta final. Uma trama recheada de boas sacadas e de um carisma certeiro, mas será que ela tem o que é necessário para ser uma comédia arrebatadora?


O episódio piloto de Homem Com H apresenta Humberto, um homem aparentemente deslocado em seu ambiente de trabalho, cercado por colegas femininas extrovertidas que o envolvem em conversas sobre relacionamentos e vida pessoal. A premissa central do episódio gira em torno da dinâmica entre Humberto e suas colegas Cláudia e Bianca, destacando como ele é colocado na posição inesperada de "consultor" de questões masculinas. O roteiro aposta em diálogos rápidos e situações cômicas para construir seu tom e apresentar o universo da série.

O maior acerto do roteiro é a fluidez dos diálogos. As trocas entre os personagens são naturais e ritmadas, com piadas bem colocadas e um humor que remete a sitcoms como Friends e The Office. Há um uso eficaz de ironia e sarcasmo, especialmente nas falas de Humberto, que constantemente tenta escapar das perguntas constrangedoras de suas colegas.

Os três personagens principais têm personalidades bem distintas, o que cria uma dinâmica interessante:

Humberto é um homem racional e um pouco antiquado, tentando manter a compostura enquanto é jogado em conversas desconfortáveis. Sua postura de "outsider" é a principal fonte de humor, e ele se encaixa bem no arquétipo do protagonista cínico que tenta apenas sobreviver ao dia.

Cláudia é extrovertida e provocadora, servindo como a líder das conversas mais polêmicas. Seu jeito de desafiar Humberto gera boas interações. Bianca traz um toque de doçura e entusiasmo, sendo a personagem que mais empurra Humberto para a sua posição de "consultor".

Essa tríade funciona bem e tem potencial para gerar muitas histórias interessantes.

O roteiro explora temas que muitas pessoas já vivenciaram no ambiente de trabalho: conversas sobre vida pessoal, fofocas entre colegas e o desconforto de ser colocado em uma discussão para a qual você não tem resposta. A comédia vem da forma exagerada como isso acontece com Humberto, tornando-o um "guru do sexo" sem querer.

O encerramento do episódio, com Humberto percebendo que suas "dicas" podem ter tido consequências inesperadas, é um ótimo cliffhanger. Isso deixa a porta aberta para que o segundo episódio continue explorando as consequências da sua participação (involuntária) nessas discussões.

Embora as interações sejam divertidas, o episódio não apresenta um grande obstáculo para o protagonista. Tudo gira em torno das conversas entre os personagens, mas não há um evento significativo que force Humberto a tomar uma decisão ou mudar sua postura.

Humberto começa e termina o episódio praticamente da mesma forma: tentando evitar as conversas e fugindo das situações embaraçosas. Embora isso funcione para a comédia, seria interessante que ele tivesse uma leve mudança ao longo do episódio. Uma mudança sutil ajudaria a tornar o episódio mais memorável.

O episódio se passa quase inteiramente no escritório, o que pode torná-lo visualmente monótono. Em séries como The Office ou Brooklyn Nine-Nine, há variações de cenário dentro do próprio local de trabalho para evitar a sensação de repetição.  

Grande parte do episódio gira em torno de sexo e relacionamentos. Embora seja um tema cômico, pode ser interessante misturar outros assuntos que reforcem o tom da série.

O roteiro tem diálogos ágeis e engraçados, personagens bem definidos e uma premissa interessante. No entanto, falta um conflito central mais forte, uma evolução mais clara do protagonista e uma maior variedade de cenários e temas para manter o ritmo. Com alguns ajustes, ela pode se tornar uma comédia ainda mais envolvente.


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